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As sementes do Sol - o Semeador

(Orelha do livro)


Em “As sementes do sol – o semeador”, o desorientado Absalão, em seu combate obsessivo contra o pecado, tenta enfrentar um inimigo: aquilo que, supondo seja o pecado, é, na verdade, a própria condição da existência. Que dizer: para ser, Absalão quer des-ser; para viver, pretende anular aquilo que é. A consciência de que não pode escapar das contingências da carne se dá quando, enfim, se dispõe a combater seu destino. Então, ele suplica ao tio Lourenço: “Seja o meu demônio – é o que lhe peço”. E o tio, sofrido, mas lúcido, lhe responde: “Não sou demônio, mas tenho aqui na minha mão a sua alma”. Lourenço olha o sobrinho com a certeza de que, também nele, uma força vital se agita e quer existir; mas, num emaranhado de palavras e de terrores,  Absalão a deixa escapar, isso quando não a sufoca.  A idéia do pecado se torna, nesse caso, um escudo. É empunhando o brasão da pureza que Absalão abdica da vida.
      Quando, por fim, se inicia no sexo, o infeliz Absalão não consegue entender sua experiência como um ato de amor, mas, sim, de devassidão. “Agora estavam somente os dois no quarto. Um homem e uma mulher – esse louco combate da vida”, diz. Ele experimenta os fatos da existência como armadilhas, ou como provações. Como tentações. Agarra-se, apavorado, às palavras de Deus: “Uma palavra – foi o que pensou – é uma montanha. É preciso escalá-la, arrebentando-se para o Alto”.  Nos relatos do jovem Carrero, o tempo passa, as histórias se desenrolam, as personagens morrem, mas algo parece nunca se esgotar: a experiência da dor. Mesmo quando a serenidade se impõe, bicho traiçoeiro, ela arrasta atrás de si o seu oposto. “Fechando os olhos, porém, Absalão percebeu que aquela era a leveza e a paz que antecedem o ódio”. O homem de Carrero está sempre traindo, nunca pára de trair e trair. “Jamais teremos os rostos iluminados e resplandecentes, enfeitiçados pela luz clara do Cordeiro. Estamos marcados na testa como escravos e ladrões”. Dor que vem desde as origens, como também o pecado. Pecado original, que se infiltra nos atos humanos e os desqualifica.

  







 
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