OS TÁRTAROS

Os Tártaros no sangue

A adolescência de Raimundo Carrero foi marcada pela música. O momento mais significativo ocorreu quando integrou a banda Os Tártaros, durante dois anos e meio. Na companhia de José Araújo (contra-baixo), Djilson (batereia), Walter (guitarra solo) e Fred (guitarra centro), agitou a vida nordestina, com exibições que marcaram época. A banda fazia apresentações regulares na televisão e no rádio, participando dos programas. Entre eles: “Bossa 2”, “Você faz o show” e “Noite de Black-Tie”, comandado por José Maria Márquez, Fernando Castelão e Luiz Geraldo.
     A música “És para mim o que sempre quis”, gravada em compacto pela Mocambo-Rozemblit - desaparecida por causa das enchentes que assolaram o Recife na década de setenta, do século passado -, marcou definitivamente o cenário da música do Nordeste, sendo tocada basicamente em todas as rádios da região, elevando Os Tártaros a nível de ídolos. Eram aclamados nos clubes e solicitados a dar autógrafos na rua. Tiveram que se deslocar, vários vezes, a capitais nordestinas, entre elas Natal, Maceió e João Pessoa. O compacto era composto ainda de uma balada – “Somente com você” -, com música de José Araújo e letra de Raimundo Carrero.
     Aliás, foi José Araújo quem levou Carrero para a banda. Numa noite de março, os dois se encontraram na Estação Ferroviária. José Araújo vinha com a banda de Pesqueira, onde fizera apresentações, e Carrero foram buscar a irmã Margarida, que estava chegando de Salgueiro. Durante a conversa surgiu o convite. Marcaram um encontro para o sábado seguinte na Associação dos Alunos Maristas, na rua Gervásio Pires, Boa Vista, centro do Recife. No mesmo dia, os ensaios começaram.
     - Minha amizade com Zé começou aos quatorze, quinze anos de idade, portanto dois meninos, no Colégio Arquidiocesano, onde fazíamos a segunda série ginasial. Nenhum dos dois era bom aluno. Mas tínhamos identidade musical. Ele tocava violão e eu saxofone. Conversávamos muito e, na falta de instrumentos, resolvemos fazer teatro. Foi quando escrevi, creio, o meu primeiro texto mais elaborado: “A Revolta de Paulinho”, uma peça teatral. Formamos o elenco, mas terminamos montando uma peça de Juracy Camargo: “Mania de Grandeza”.
     Conta o escritor.
     Tiveram que se separar porque Carrero estava de volta a Salgueiro, onde concluiria o ginasial no Colégio Estadual de Salgueiro, hoje Colégio Carlos Pena Filho. Ali na cidade sertaneja, ao lado de Terezinha do Acordeon, Valderi, Zé Eudes, João, Toinzinho, Ipinho, e Lourdinha, fundou a banda Os Cometa, que animava os bailes da cidade. Uma bela experiência, que fez com ele imaginasse que seria músico para sempre. Nessa banda, ele tocava clarinete, porque Valderi ocupava o sax-tenor. Outra vez no Recife, em 66, estava nos Tártaros. Ele diz:
      - Foi um grande momento na minha vida. Uma bela e verdadeira adolescência. Muito amigos, não tínhamos brigas e as discussões eram resolvidas entre uma música e outra. Posso garantir: sem problemas. Até porque todos nós atendíamos à liderança natural de José Araújo. Amávamos a banda. Tínhamos um orgulho imenso que dizer que éramos amigos. Isso marca para sempre. Não me lembro de nenhuma briga séria. Ninguém saía arranhado ou se queixando. Nada disso. E havia um dado muito positivo: os nossos pais estavam juntos. Éramos amados e mimados. E eu, que morava num apartamento com Margarida e Felipe, meus irmãos, recebia uma atenção especial.


 
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